Glibenclamida com 5,0 mg.

A Glibenclamida é um antidiabético oral pertencente ao grupo farmacológico das sulfoniluréias de segunda geração. As sulfoniluréias são agentes hipoglicemiantes orais que estimulam a secreção de insulina. Está indicada no Diabetes Mellitus tipo 2 sendo a primeira opção nos indivíduos não obesos, que não alcançaram níveis glicêmicos desejáveis após a adoção das medidas dietéticas e da prática regular de atividade física.

A hipoglicemia é um efeito colateral freqüente, sobretudo em idosos e renais crônicos.

Nome genérico: Glibenclamida
Sinonímia: Glyburide
Classe química: sulfoniluréia de segunda geração
Classe terapêutica: hipoglicemiante oral
Forma Farmacêutica: comprimidos de 5 mg
Uso: adulto

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

INDICAÇÕES
Diabetes mellitus tipo II (não dependente de Insulina).

CONTRA INDICAÇÕES
· Hipersensibilidade à Glibenclamida.
· Diabetes mellitus tipo I.
· Cetoacidose diabética, com ou sem coma.
Não há indicação para uso de Glibenclamida ou outro agente hipoglicemiante (sulfoniluréia) em crianças. Além disso, a Glibenclamida é relativamente contra-indicada na presença de insuficiência renal grave, ou insuficiência hepática, devido ao risco de hipoglicemia profunda e prolongada.
O uso de glibenclamida deve ser cuidadoso em pacientes idosos, portadores de doenças da tireóide, insuficiência adrenal ou pituitáia e em pacientes mal nutridos.

POSOLOGIA
A dose usual para início do tratamento com Glibenclamida é de 2.5 a 5 mg por dia, administrados prefencialmente 30 minutos antes do café da manhã ou da primeira refeição do dia. A dose usual de manutenção varia de 1.25 a 20 mg por dia. Pacientes especialmente sensíveis aos hipoglicemiantes orais devem receber uma dose inicial de 1.25 mg/dia, aumentando-se de 2.5 mg a cada semana dependendo da resposta.
O medicamento é administrado uma vez ao dia, mas quando se utilizam 10 mg ou mais por dia, a reposta é melhor esperada com duas tomadas ao dia.

ADVERTÊNCIA
Stress com febre, infecção, trauma ou cirurgia podem resultar em perda do controle glicêmico em pacientes tratados com Glibenclamida. O uso temporário de insulina no lugar da Glibenclamida pode ser necessário.
Com o uso prolongado, a eficácia da Glibenclamida pode diminuir por um determinado período. Isto é conhecido com falência secundária e pode requerer o uso tentativo de outro agente hipoglicemiante oral ou insulina.
Existem evidências de que a falta de controle adequado das concentrações de glicoses sangüínea durante a gravidez está associada a maior freqüência de anormalidades congênitas, recomendando-se por isso, o uso de Insulina durante a gravidez para manter tanto quanto possível os níveis normais de glicose.

REAÇÕES ADVERSAS
O efeito colateral primário da Glibenclamida é a hipoglicemia, que pode ser grave e levar ao coma e à morte. Para minimizar esta reação, os pacientes idosos, debilitados ou mal nutridos e aqueles com insuficiência renal, hepática, adrenal ou pituitária devem ser tratados com cuidado, se necessário o uso de Glibenclamida.
A hipoglicemia tem sido associada à terapêutica com Glibenclamida em cerca de 1.5% dos pacientes. A incidência de hipoglicemia em pacientes em tratamento com hipoglicemiantes é comparável entre Clorpropamida e Glibenclamida e bem menor com Glipizida e Tolbutamida.

Os fatores de risco de desenvolvimento da hipoglicemia incluem alterações na dieta, exercício físico intenso ou prolongado, ingestão alcoólica, doença hepática ou renal e idade avançada. Hipoglicemia profunda ocorre como resultado da supressão de produção de glicose pelo fígado e pode ser pior em pacientes com insuficiencia hepática ou renal e em pacientes com insuficiencia pituitária. Os sintomas de hipoglicemia incluem taquicardia, sudorese, palpitações, tremores, dor de cabeça, confusão, distúrbios visuais, confusão, irritabilidade, alterações da personalidade, convulsão e coma.

Outros efeitos colaterais, menos comuns, são os distúrbios do trato gastrointestinal, como náuseas, sensação de plenitude gástrica e queimação, que geralmente desaparecem com o uso continuado do medicamento. Outros sintomas digestivos, como constipação ou diarréia também podem ocorrer.
Reações alérgicas da pele, como prurido, eritema, urticária e erupções morbiliforme ou maculopapular podem ocorrer em menos de 5% dos pacientes. Geralmente são transitórias e podem desaparecer com o uso continuado. Se persistentes ou graves, a medicação deve ser suspensa.
Diminuição da agregração plaquetária e subsequente aumento do tempo de coagulação, episódios de eosinofilia, neutropenia e trombocitopenia podem ocorrer com o uso de Glibenclamida, como casos raros, mas podendo ser graves.
As sulfoniluréias tem propriedades uricosúricas e podem causar litíase renal, especialmente em indivíduos propensos a cálculos de ácido úrico.
Aumentos transitórios dos testes de função hepática, como SGOT, SGPT e fosfatase alcalina, além de icterícia colestática, têm sido relatados após o início da terapêutica com Glibenclamida.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
A administração concomitante de Glibencamida e antiácidos não é recomendada, podendo ocorrer hipoglicemia.
Os agentes betabloqueadores podem reduzir a tolerância à glicose e inibir a secreção de Insulina em pacientes com diabetes tipo II, e portanto causar hiperglicemia.
Os corticosteróides podem causar hiperglicemia. Os pacientes em uso de drogas antidiabéticas podem necessitar de aumento da dosagem destas drogas durante a terapêutica com corticosteróides.
O uso concomitante de Cimetidina pode aumentar a concentração de Glibenclamida em 30% (Glipizida em 25%, Tolbutamida em 20%) e provocar hipoglicemia. Efeito semelhante pode ocorrer com o uso de Fluconazol.
Também o uso de Clofibrato e uma sulfoniluréia pode resultar em aumento da hipoglicemia em alguns pacientes.
O uso concorrente de Enalapril, Captopril ou outro inibidor da ECA e Glibenclamida pode reduzir a resistência à Insulina e necessitar diminuição da dosagem do antidiabético.
Os diuréticos tiazídicos podem antagonizar os efeitos dos agentes hipoglicêmicos orais e diminuir a eficácia da Glibenclamida.
Fenilbutazona ou outro antinflamatório não esteróide pode provocar reações hipoglicêmicas leves quando associada à Glibenclamida, e requerer maior controle do paciente e das dosagens dos medicamentos.
A Rifampicina pode diminuir o efeito hipoglicêmico da Glibenclamida, Tolbutamida e Clorpropamida. O aumento da dosagem do antidiabético ou o uso de Insulina podem ser necessários.
Sulfametoxazol pode aumentar os efeitos hipoglicêmicos das sulfoniluréias.
O uso concomitante de Glibenclamida e Warfarin poderá aumentar o risco de sangramento. O tempo de protrombina deve ser monitorizado e as doses do anticoagulante reduzidas.
Aspirina aumenta os efeitos hipoglicemiantes.
De um modo geral os fármacos altamente ligados às proteínas podem aumentar os efeitos hipoglicemiantes das sulfoniluréias, como: antiinflamatórios não-esteróides, anticoagulantes cumarínicos, Cloranfenicol, Probenecida, Salicilatos, Sulfonamidas, Fibratos, Fenfluramina, inibidores da ECA, Disopiramida, Pentoxifilina, Quinolonas, Tetraciclinas.

GRAVIDEZ E LACTAÇÃO: Categoria C do FDA
O uso durante a gravidez é inapropriado devido ao controle inadequado da glicemia, risco de hipoglicemia neonatal e risco de anormalidades congênitas. Secreção no leite materno não conhecida.

CUIDADOS ESPECIAIS

Conversão da Insulina para Glibenclamida:
1 - Os pacientes que estiverem recebendo menos de 20 unidades de Insulina por dia, devem receber uma dose única de Glibenclamida de 2.5 a 5 mg por dia.

2 - Os pacientes que estiverem em utilização de 20 a 40 unidades de Insulina, a dose inicial de Glibenclamida deve ser de 5 mg ao dia, em dose única.

3 - Pacientes em uso de 40 unidades ou mais de insulina requerem um período de transição. A Insulina deve ser reduzida em 50% e a Glibenclamida deve ser iniciada concomitantemente com a dose de 5 mg/dia. A Insulina deve ser retirada progressivamente e a Glibenclamida acrescida de 1.25 a 2.5 mg cada 2 a 10 dias. Durante este período de conversão poderá ocorrer hipoglicemia, havendo necessidade de monitorização atenta do paciente.

Conversão de outro hipoglicemiante oral para Glibenclamida.
Quando um paciente é transferido de outro agente hipoglicemiante para Glibenclamida, a dose inicial deve ser de 2.5 a 5 mg ao dia, não havendo necessidade de um período de transição.
Entretanto, requer-se cuidado especial durante as duas primeiras semanas se o paciente estiver usando Clorpropamida. Devido a meia-vida prolongada da Clorpropamida, poderá ocorrer hipoglicemia mais frequentemente que com outros agentes.
Nos pacientes com insuficiência renal ou insuficiência hepática, as doses iniciais e de manutenção devem ser menores e cuidadosamente estudadas.
Nos pacientes idosos ocorre hipoglicemia com maior frequência, mesmo com doses menores.

Tratamento da hipoglicemia induzida por antidiabético oral
O tratamento inicial de um paciente comatoso envolve a adminstração intravenosa de 20 a 50 ml glicose a 50%, seguida de infusão contínua de glicose 5% ou 10% para manter a glicemia entre 5 a 10mmol/l. Tratamento prolongado por vários dias pode ser necessário em pacientes em uso de hipoglicemiantes de longa duração como Clorpropamida e Glibenclamida. Em pacientes conscientes o tratamento envolve a administração de alimentos, como doces, água com açúcar ou suco de frutas

QUÍMICA E FARMACOLOGIA

Características químicas e farmacológicas
A Glibenclamida é uma sulfoniluréia de segunda geração, usada para tratamento de diabetes mellitus tipo II.

Mecanismo de Ação:
A Glibenclamida diminui a glicose pelos mesmos mecanismos de outras sulfoniluréias, tanto por estimulação da secreção de Insulina, como pelo aumento da resposta à insulina pelos tecidos.
O efeito extrapancreático predominante parece ser a redução na produção de glicose hepática. A Glibenclamida diminui a glicose sangüínea inicialmente estimulando a liberação de Insulina pelo pâncreas, num efeito dependente do funcionamento das células beta. Entretanto, o mecanismo pelo qual as sulfoniluréias produzem efeitos benéficos prolongados na tolerância à glicose, não é explicado apenas pela ação pancreática, a sensibilidade aumentada à insulina sendo provável pela melhora a longo prazo.

Farmacocinética:
A Glibenclamida é bem absorvida pelo trato gastrointestinal; os níveis séricos máximos ocorrem cerca de 4 horas após a dose oral e persistem por 24 horas. É metabolizada no fígado em dois metabólitos que são eliminados na urina e na bile em quantidades aproximadamente iguais. Estes metabólitos são muito pouco ativos.
O início da ação ocorre em aproximadamente em 1 hora a 90 minutos.
Os alimentos não alteram sua absorção. Cerca de 99% da droga fixam às proteínas plasmáticas.

INFORMAÇÕES AO PACIENTE

· Tomar o medicamento 30 minutos antes do café da manhã.
· Notificar imediatamente o médico a ocorrência de febre, dor de garganta, lesão na pele ou qualquer sangramento.
· Não é aconselhável a ingestão de álcool junto com Glibenclamida. Relatar o uso de qualquer outro medicamento ao médico.
· Sintomas de hipoglicemia: formigamento dos lábios e da língua, náusea, confusão mental, fadiga, sudorese, fome, distúrbios visuais.
· O diabetes é uma doença crônica, não curável, mas que pode ser controlada com diversas medidas.
· O controle da doença visa sobretudo evitar as complicações da doença, que podem atingir diversos órgãos.
· A dieta adequada é a medida mais importante no controle do diabetes. Aliada à perda de peso e aumento da atividade física, constituem-se como ponto fundamental no tratamento e controle da doença e suas complicações.
· Os medicamentos orais - que auxiliam na redução da glicose - só devem ser usados se o controle da dieta, perda de peso e atividade física não produzirem resultados satisfatórios desejados. Mesmo assim, o uso dos medicamentos não modifica a necessidade e importância das outras medidas.
· Não modifique a dose do medicamento estabelecida pelo médico.
· Se esqueceu de tomar o medicamento pela manhã, tome ao longo do dia.
· Faça controle periódico da glicose na urina e no sangue, seguindo a orientação do médico.