Metformina comp. 850 mg.

É um composto do grupo das biguanidas que aumenta a sensibilidade da insulina nos tecidos periféricos, principalmente no fígado. A redução da glicemia provocada pela metformina se deve especialmente à diminuição da produção hepática de glicose. A magnitude de queda da glicose plasmática em jejum e da glico-hemoglobina é semelhante à das sulfoniluréias. A metformina, quando associada a sulfonilluréias, determina efeito hipoglicemiante aditivo. Não está associada a aumento de peso, podendo, inclusive, determinar diminuição de dois a três quilos durante os primeiros seis meses de tratamento.

Os efeitos adversos mais freqüentes são desconforto abdominal e diarréia, que são usualmente leves e transitórios. Menos de 5% dos pacientes não toleram a metformina. Acidose láctica é rara ( cerca de três casos por 100.000 pacientes/ano), particularmente se respeitadas suas contra-indicações. A metformina é contra-indicada em pacientes com insuficiência renal ( creatinina > 1,5 mg/dl em homens e > 1,4 mg/dl em mulheres), insuficiência cardíaca congestiva, doença hepática crônica ( transaminases > 3 vezes o limite superior da normalidade) e uso abusivo de álcool. O medicamento deve ser interrompido durante procedimentos cirúrgicos, radiográficos com uso de contraste e intercorrência médica grave.

Nome genérico: METFORMINA
Classe química: Biguanida
Classe terapêutica: Antidiabético
Forma Farmacêutica e apresentação: comprimidos de 500mg e 850mg
Uso: ADULTO

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

INDICAÇÕES

Diabetes mellitus, tipo 2 (diabetes do adulto, não insulino-dependente).

CONTRA-INDICAÇÕES

Contra-indicações Mais importantes
Para estas condições usualmente se requer ação para reduzir os riscos de interações adversas:
Hepatite aguda
Insuficiência cardiorespiratória
Colapso cardiovascular
Hepatite crônica
Insuficiência cardíaca congestiva
Desidratação
Coma diabético
Cetoacidose diabética
Diagnósticos com meios de contraste
Cirrose hepática
Insuficiência hepática
Distúrbio da função hepática
Hepatite
Coma hiperosmolar não cetótico
Condições hipoxemicas
Acidose lática
Grande cirurgia
Infarto agudo do miocárdio
Queimaduras graves
Infecção grave
Traumatismo grave

IMPORTANTES
Para estas condições os risco ao paciente devem ser monitorados e tomadas ações quando necessário:
Diarréia
Gastroparesis
Condições causadoras de hiperglicemia
Hipotireoidismo não tratado
Obstrução intestinal
Hipertireoidismo não Controlado
Vômitos

Metformina não deve ser dada a pacientes com insuficiência cardíaca congestiva que requerem tratamento medicamentoso (por exemplo, digoxina, furosemida), como para os pacientes com insuficiência cardíaca congestiva aguda ou instável. Estes pacientes tem risco de hipoperfusão e hipoxemia, que podem levar a acidose lática. Alguns médicos sugerem que a Metformina possa ser reintroduzida assim que a insuficiência cardíaca aguda seja controlada e a função renal esteja normal (medida pelo clearance da creatinina). Como a administração venosa de meio de contrataste iodado pode levar a uma alteração aguda da função real e tem sido associada com acidose lática em pacientes usando metformina, recomenda-se suspender a Metformina pelo menos 48 horas antes e não recomeçar até 48 horas depois de tais procedimentos. Metformina não deve ser reintroduzida até que a função renal tenha sido avaliada e seja considerada normal. Metformina também deve ser suspensa temporariamente em pacientes que vão se submeter à cirurgia, exceto pequenas cirurgias que não estão associadas com a restrição à ingestão de alimentos ou líquidos; a droga deve ser reintroduzida apenas quando a ingestão oral de alimentos for restituída e a função renal se mostrar normal. Além disso, qualquer paciente diabético previamente bem controlado com Metformina que desenvolva uma doença clínica (especialmente uma doença não diagnosticada ou pouco definida) ou cujos resultados de testes laboratoriais estejam fora do normal, deve ser avaliado imediatamente para se evidenciar cetoacidose ou acidose lática.

POSOLOGIA

Geral
A dose de Metformina deve ser individualizada cuidadosamente baseada na resposta e tolerância do paciente. O objetivo da terapêutica deve ser reduzir tanto a glicose de jejum como a hemoglobina glicosilada (hemoglobina A1c [HbA1c] a valores normais ou próximos do normal, usando a menor dose efetiva de Metformina usada como monoterapia ou combinada com outro agente antidiabético oral (sulfoniluréia ou acarbose). Como os efeitos adversos gastrointestinais da Metformina parecem ser dose-dependente, recomenda-se que a dosagem da droga seja aumentada gradualmente e que o medicamento seja ingerido com alimento. A dose deve ser aumentada de 500mg por dia em intervalos de 1 semana até um máximo de 2.5g por dia ou até se atingir as concentrações desejadas de glicose em jejum (por exemplo, menor que 140mg/dL). Alternativamente, em pacientes recebendo uma dose inicial de Metformina de 850mg/dia em comprimidos convencionais, a dose pode ser aumentada de 850mg por dia cada semana até um máximo de 2.55g/dia (3 comprimidos) ou até que se atinjam as concentrações desejadas de glicose em jejum (por exemplo)., menos de 140mg/dL). A dose usual de manutenção de Metformina é 850mg 2 vezes ao dia, junto com a alimentação de manhã e da noite. Os efeitos totais da droga podem ser observados somente após 2 semanas.

Idosos
Metformina deve ser usada com cuidado em paciente geriátricos, pois a idade está associada à redução da função renal e a acumulação da droga resultando em acidose lática pode ocorrer em pacientes com distúrbios da função renal. Tem sido sugerido, baseado em dados limitados, que a dose inicial de Metformina para pacientes idosos deva ser reduzida de aproximadamente 33% em comparação com as doses de outros pacientes com diabetes mellitus tipo 2. Metformina não deve ser dada a pacientes com 80 anos ou mais.

Crianças
A segurança e eficácia da Metformina em crianças de qualquer idade ainda não foram estabelecida. Metformina não foi estudada em diabetes mellitus tipo 2 da infância.

Dosagem na insuficiência renal
Por causA do risco de acidose lática, que é freqüentemente fatal, Metformina não deve ser usada em pacientes com disfunção ou doença renal e deve ser evitada em pacientes com evidencia clínica ou laboratorial de doença hepática. (ver precauções: acidose lática)

PRECAUÇÕES
Mudança da terapêutica de outros agentes antidiabéticos

A mudança dA maioria dos agentes sulfoniluréia para Metformina não requer geralmente um período de transição e a sulfoniluréia pode ser suspensa abruptamente (exceto quando a droga é a Clorpropamida, por causa de sua longa meia-vida).

EFEITOS COLATERAIS / REAÇÕES ADVERSAS

Efeitos gastrointestinais
Diarréia, náusea, vômitos, cólicas ou dor abdominal, flatulência e anorexia são os efeitos adversos mais comuns associados com o uso de Metformina. Gosto metálico ou desagradável que desaparece espontaneamente tem sido relatados em aproximadamente 3% dos pacientes que recebem Metformina; constipação ou azia também tem sido relatadas. Os efeitos adversos sobre o trato gastrointestinal induzidos pela Metformina parecem ser dose-dependente, geralmente ocorrem no início da terapêutica e usualmente regridem espontaneamente com a continuação da terapêutica ou podem ser reduzidos por aumento gradual da dose ou administração do medicamento junto com as refeições.. Metformina deve ser suspensa em pacientes que desenvolvem diarréia e/ou vômitos importantes, pelo risco de desidratação ou uremia pré-renal.
Hipoglicemia
Hipoglicemia é incomum em pacientes que fazem uso de Metformina, a não ser que esteja sendo administrada juntamente com sulfoniluréia ou insulina, ou quando a ingestão calórica é deficiente ou ainda por excesso de exercícios físicos não acompanhados de ingestão de alimentos.

Efeitos Hematológicos
Diminuição assintomática nos níveis séricos de vitamina B12 foi relatada em cerca de 9% dos pacientes recebendo Metformina. Contudo, isso raramente está associado com anemia e é rapidamente reversível após suspensão da droga ou suplementação de vitamina B12.

Acidose Lática
Acúmulo de Metformina pode ocorrer em pacientes com distúrbios renais e isto raramente pode resultar em acidose lática, uma doença metabólica grave e potencialmente fatal. A acidose lática também ocorre em associação com diversas condições patofisiológica, sempre que existir uma hipoperfusão ou hipóxia tissular importante. A acidose lática frequentemente tem um início súbito e pode se acompanhar apenas de sintomas não específicos, tais como, mal estar, mialgias, dificuldade respiratória, sonolência crescente e desconforto abdominal não específico. Hipotermia, hipotensão e bradiarritmias resistentes podem estar associadas com acidose mais grave. Os pacientes e os médicos devem cuidar da possível importância de tais sintomas e os pacientes devem ser instruídos por notificar a seus clínicos imediatamente se estes sintomas aparecerem.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
Outras agentes antidiabéticos
Embora a hipoglicemia ocorra infrequentemente em pacientes em uso isolado de Metformina, pode ocorrer quando a droga é usada concomitantemente com antidiabéticos sulfoniluréia ou insulina.
Diureticos
Os diuréticos tiazídicos podem agravar o diabetes mellitus, resultando no aumento da necessidade de agentes antidiabéticos, perda temporária do controle do diabetes ou falência secundária do agente antidiabético. Não há informação disponível sobre a possível interação entre Metformina e Furosemida durante administração a longo prazo.
Cimetidina
Cimetidina pode reduzir a excreção urinária da Metformina, competindo pelos sistemas de transporte catiônica nos túbulos renais. A administração concomitante de Metformina e Cimetidina aumenta o pico plasmático e as concentrações sanguíneas totais d Metformina em aproximadamente 60 a 81%. Outras drogas catiônicas de excreção tubular renal também podem diminuir a excreção urinária da Metformina (Amilorida, digoxina, morfina, procainamida, quinidina, quinino, ranitidina, triamtereno, vancomicina).
Álcool
O uso combinado de álcool e Metformina pode aumentar os riscos de hipoglicemia e acidose lática, pois o álcool diminui o clearance do lactato e a gliconeogênese hepática e pode aumentar a secreção de insulina.
Clomifeno
Em pacientes com premenopausa, com síndrome de ovário policístico, a terapia com certos agentes antidiabéticos orais, incluindo Metformina, pode resultar em retorno da ovulação em um número pequeno de mulheres.
Outras drogas
Drogas que provocam hiperglicemia e podem alterar o controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus incluem corticosteróides, contraceptivos orais, diuréticos tiazídicos, simpatomiméticos, fenotiazinas, niacina, agentes bloqueadores dos canis de cálcio e isoniazida. Quando tais drogas são adicionadas ou suspensas da terapia em pacientes recebendo agentes antidiabéticos orais, os pacientes devem ser observados atentamente para evidencias de alteração no controle glicêmico.

USOS NA GRAVIDEZ E LACTAÇÃO: categorias B do FDA
Até o momento não há estudos adequados e controlados sobre o uso de Metformina na mulher grávida. Estudos sobre a reprodução em ratos e coelhos, utilizando-se Metformina, não revelaram evidencia de dano fetal. Não há evidencia de distúrbio sobre a fertilidade após administração de Metformina em ratos. Metformina é distribuída no leite de ratas em lactação, atingindo concentrações comparáveis às do plasma.
Nenhuma evidencia de mutagenicidade ou dano aos cromossomas foi observada em vivo ou in vitro, incluindo ensaios microbianos e em mamíferos.

SUPERDOSAGEM
Já foi relatada acidose lática na ingestão aguda de Metformina. Como a droga é eliminada por diálise, a hemodiálise urgente é recomendada para corrigir a acidose e remover a droga acumulada; tal procedimento frequentemente resulta em rápida reversão dos sintomas e recuperação do paciente.

CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS E FARMACOLÓGICAS:

Descrição
Metformina é uma biguanida (dimetilbiguanida), um agente hipoglicemiante oral derivado da guanidina. A Guanidina é encontrada naturalmente na Galega officinalis usada na Europa para tratamento do diabetes mellitus. Reduz os níveis de glicose sanguínea predominantemente aumentando a sensibilidade hepática e dos tecidos periféricos à Insulina, sem afetar a secreção deste hormônio.
Mecanismo de ação
Diferentemente das sulfoniluréias, as biguanidas, como a Metformina, diminuem as concentrações de glicose no sangue em pacientes com diabetes mellitus tipo II sem aumentar a secreção de Insulina pelas células beta do pâncreas; entretanto, a Metformina é inefetiva na ausência de alguma insulina endógena ou exógena. Biguanidas geralmente não produzem hipoglicemia em pacientes diabéticos e não afetam as concentrações normais de glicose em indivíduos não diabéticos.
Metformina reduz as concentrações tanto de glicose basal (de jejum) como a pós-prandial em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. Evidências recentes sugerem que a droga melhora a sensibilidade à insulina, tanto hepática como periférica. O aumento da sensibilidade à insulina ocorre principalmente como resultado da diminuição de produção hepática de glicose ( a Metformina reduz a produção de glicose hepática basal diminuindo a gliconeogênese e possivelmente a glicogenólise e com isso reduzindo as concentrações plasmáticas de glicose em jejum) e aumento do estímulo da insulina à utilização da glicose pelos tecidos periféricos (por exemplo, músculos esqueléticos e adipócitos)
Metformina tem mostrado efeitos favoráveis discretos sobre os lípides séricos, que estão frequentemente alterados em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. Em estudos clínicos, particularmente em pacientes com concentrações séricas de lípides basais elevadas, a Metformina sozinha ou combinada com agentes antidiabéticos sulfoniluréia reduziu as concentrações séricas de triglicérides em jejum e as concentrações de colesterol total e LDL, sem afetar outros lípides séricos. Metformina pode ter possíveis efeitos benéficos sobre o sistema fibrinolítico, aumentando a atividade do ativador de plasminogênio de tecido (tPA) e/ou reduzindo as concentrações do inibidor-1 do ativador de plasminogênio (PAI-1) em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. A terapêutica com Metformina pode estar associada com estabilização ou perda de peso.. Os mecanismos sugeridos incluem a ausência de efeito hiperinsulinemico (que se presente pode aumentar o apetite e/ou a lipogênese) e redução da ingestão dietética associada com os efeitos adversos gastrointestinais da Metformina.

Farmacocinética
Metformina é lenta e incompletamente absorvida pelo trato gastrointestinal, especialmente pelo intestino delgado: a absorção é completa em 6 horas. As concentrações plasmáticas da Metformina não aumentam proporcionalmente ao aumento da dose, sugerindo uma saturação ativa do processo de absorção. Após administração oral de 0.5 a 1.5g de comprimidos convencionais de hidrocloreto de metformina em indivíduos sadios ou com diabetes mellitus tipo 2, o pico de concentração plasmática usualmente é atingido em 2 a 4 horas. Concentrações plasmáticas estáveis com as doses usuais de comprimidos de hidrocloreto de metformina (por exemplo 1.5 a 2.55g por dia em 1 a 3 tomadas diárias) são atingidas em 24 a 48 horas. Controle satisfatório da glicose sanguínea ou plasmática pode ocorrer em poucos dias a 1 semana após o início da terapêutica com Metformina em pacientes com diabetes mellitus tipo 2, mas o efeito antihiperglicêmico máximo pode ser retardado em até 2 semanas. A meia-vida de eliminação plasmática da Metformina varia de 3 a 6 horas; 90% da droga é eliminada em 24 horas em pacientes com função renal normal.

INFORMAÇÕES AO PACIENTE

· Ingerir o medicamento com alimento.
· Evitar o uso de álcool.
· Notificar o clínico o aparecimento de diarréia, dor muscular intensa, câimbras, alterações respiratórias, cansaço, fraqueza, sonolência acentuada.
· Dieta adequada é o tratamento mais importante do diabetes. Ao usar medicamentos não interromper o controle dietético.
· O diabetes é uma doença crônica, não curável, mas que pode ser controlada com diversas medidas.
· O controle da doença visa sobretudo evitar as complicações da doença, que podem atingir diversos órgãos.
· A dieta adequada é a medida mais importante no controle do diabetes. Aliada à perda de peso e aumento da atividade física, constituem-se como ponto fundamental no tratamento e controle da doença e suas complicações.
· Os medicamentos orais - que auxiliam na redução da glicose - só devem ser usados se o controle da dieta, perda de peso e atividade física não produzirem resultados satisfatórios desejados. Mesmo assim, o uso dos medicamentos não modifica a necessidade e importância das outras medidas.
· Não modifique a dose do medicamento estabelecida pelo médico.
· Se esqueceu de tomar o medicamento pela manhã, tome ao longo do dia.
· Faça controle periódico da glicose na urina e no sangue, seguindo a orientação do médico.